Vivemos numa época marcada por mudanças abrangentes, profundas e rápidas. De repente olhamos ao nosso redor e nos damos conta que a família, a escola, nossos relacionamentos,... já não são mais como eram. Ao perceber que esse processo de mudança continua em marcha, que tudo está em contínua mudança e não conseguimos fazer uma previsão suficientemente segura que possa nos oferecer algum conforto em relação ao futuro, não poucas vezes se instaura em nós uma crise avassaladora.
A igreja não está isenta desse processo, todos somos testemunhas das significativas mudanças ocorridas em nossas próprias comunidades, mudanças que vão desde novidades litúrgicas à propostas de releitura bíblica, de reorientação da filosofia de ministério à inovações nas estratégias de plantação de novas igrejas, e por aí vai. Muitas pessoas assoladas pelo desconforto da ambiguidade desse momento, sem refletir sobre o mesmo, para não ficarem sem norte se apegam ao absoleto, como quem num naufrágio se agarra a um pedaço de madeira a fim de se salvar. Outras, também sem refletir, simplesmente acolhem todas as mudanças como quem não se deu conta de que algo está mudando.
Todo esse processo inevitável e irreversível de transformação nos remete a duas questões: Quando pensamos na igreja, sobretudo na Igreja Presbiteriana do Brasil, o que devemos entender como provisório e o que devemos entender como definitivo? Uma vez que o mundo e com ele a igreja estão em contínuo processo de transformação, com devemos administrar as tensões que nascem dessa dinâmica?
Pensando na relevância dessas questões para nossos dias, convidamos toda liderança de nossas igrejas para um encontro no qual procuraremos refletir sobre o tema: O Provisóerio e o Definitivo: Pensando e repensando nossas estruturas. Nossos palestrantes convidados para esse encontro serão os presbíteros Aldo Tumolim e Éber Martins e pastores Heber Campos Jr e Luciano Borges. Será uma excelente oportunidade para refletirmos e crescermos juntos.
Até lá.
Luciano Borges
quarta-feira, 27 de junho de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Poema
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Fernando Pessoa
O guardador de rebanhos
Inquisição ontem e hoje
“O fato histórico, entretanto, é que as práticas inquisitoriais continuaram em operação no Protestantismo. Práticas inquisitoriais são o conjunto de procedimentos institucionais cuja função é identificar e eliminar o pensamento divergente. Quanto a Lutero, é sabida a sua atitude para com os movimentos anabatistas, e o seu conselho que deveriam ser mortos com o mesmo espírito com que se mata um cão raivoso. E quanto a Calvino, as fogueiras continuaram a ser acesas em Genebra, não apenas para queima de Miguel Serveto, como também para queima de dezenas de bruxas. Podemos nos desfazer desta evidência histórica perturbadora, explicando o comportamento dos reformadores como decorrência da atmosfera católico-medieval que ainda respiravam. Assim fazendo, conseguimos salvar a ideologia protestante da liberdade e do livre exame, atribuindo as origens da inquisição protestante a um resíduo de espírito católico. Mas neste caso seria necessário demonstrar que o espírito e as práticas inquisitoriais desapareceram gradualmente do Protestantismo. E parece que isso não é possível. O que se observa é o seu reaparecimento no seio do Protestantismo sempre que o pensamento divergente ameaça a sua unidade política e ideológica. Na verdade, seria possível interpretar a tendência protestante para as divisões denominacionais e sectárias como uma expressão de práticas inquisitoriais. É evidente que fogueiras não podem mais ser acesas. Entretanto, o fato de os grupos com pensamento divergente serem forçados a deixar uma certa igreja é uma evidência da presença de mecanismos de controle de pensamento extremamente eficazes na igreja de que foram forçados a sair.”
Rubem Alves
Livro: Dogmatismo e tolerância
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inquisição; Rubem Alves; Dogmatismo e tolerância
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