quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Para pensar...


"Aqueles que acreditam que crêem em Deus, mas sem paixão em seu coração, sem angústia mental, sem incertezas, sem dúvidas, e às vezes até mesmo sem desespero, crêem apenas na idéia de Deus, mas não no próprio Deus"

Miguel de Unamuno

sábado, 26 de dezembro de 2009

O sublime

Com sublime encanto
Me encanta o sublime


Me encanta e assombra
Me atrai e repulsa
Me eleva e abate
Me tira de mim
Suspenso
Infuso
Passivo
Inseguro
Absorto
Confuso
Dentro de mim
Impotente afligido
Expandido e contido
Encantado expelido
Fascinado, enfim o
Lindo
Terrível
Feio
Magnífico
Passivo
Agressivo
Estranho a mim
Me sublima
O sublime
Indizível e horrível
Informe e temível
Tão cheio de si
Nefasto aos meus olhos
Seduz e me envolve
Me prende a si.

Luciano L. Borges

sábado, 14 de novembro de 2009

Uma palavra aos leitores iniciantes

Seja amigo(a) dos livros - eles sempre são uma ótima companhia;
Lembre-se, os bons livros não tem idade e não possuem data de validade;
Leia bons romances e bons poemas – eles ajudam a ver a vida de uma outra ótica;
Compre livros usados - são mais baratos e, livro novo é livro que ainda não foi lido;
O que realmente importa não é a quantidade, mas a qualidade dos livros que você lê;
Não julgue o livro pela capa – alguns dos melhores livros que li tinham capas horríveis;
Fujam dos livros de auto-ajuda (inclusive os evangélicos) – eles oferecem um caminho fácil para lugar nenhum;
Não considere perda de tempo reler o mesmo livro duas ou mais vezes – um bom livro é como uma fonte que não seca.


Luciano L. Borges

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sobre o discipulado

"Somente quem se encontra no discipulado de Jesus, renunciando a tudo quanto possui, pode dizer que é justificado tão somente pela graça. Esse vê o próprio chamado ao discipulado como sendo graça, e a graça como sendo o chamado. Engana-se, porém, a si próprio quem se julga por ela dispensado do discipulado.”

“Felizes aqueles para os quais o discipulado de Cristo, nada mais é senão a vida baseada na graça, e para os quais a graça nada mais é senão o discipulado! Felizes aqueles que, neste sentido, se tornaram cristãos para os quais a mensagem da graça foi misericórdia!”

Dietrich Bonhoeffer

domingo, 1 de novembro de 2009

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Paul Ricoeur



"Tenho algo a descobrir de próprio, algo que ninguém possui a tarefa de descobrir em meu lugar. Se minha exitência tem um sentido, se ela não é vã, tenho uma posição no ser que é um convite a colocar uma questão que ninguém pode colocar em meu lugar . A estreiteza de minha condição, de minha informação, de meus encontros e de minhas leituras já esboça a perspectiva finita de minha vocação de verdade. No entanto, por outro lado, procurar a verdade, quer dizer que aspiro a dizer uma palavra válida para todos, que se destaca sobre o fundo de minha situação como um universal. Não quero inventar, dizer o que me agrada, mas aquilo que é."

Paul Ricoeur