sábado, 25 de setembro de 2010

Diga-me com quem andas...


Desde a meninice aprendemos ser criteriosos na escolha daqueles que formam nosso círculo de amizade, pois as más companhias não são boa opção para pessoas de bem. Embora já bem crescido, quando cheguei a igreja aprendi que deveria abandonar os antigos amigos e renovar meu rol de amizade, pelo motivo que aqueles pertenciam a uma realidade que não era mais a minha, o mundo. Assim, considerando a importância da escolha daqueles que caminham ao nosso lado decidi que:
Não quero andar com pessoas perfeitas, que tenham um alto grau de santidade e que alardeiam para todos suas conquistas morais e espirituais; tais pessoas são extremamente duras com os trôpegos e não poucas vezes medem os outros com um metro injusto e desonesto Não quero andar com pessoas legalistas, que entendem que o único objetivo da vida é obedecer à regras preestabelecidas e inquestionáveis; essas pessoas entendem a vida de modo muito estreito e muitas vezes colocam sobre os ombros dos outros fardos que elas mesma não estão dispostas a carregar. Não quero andar com os fortes, bravos, e inquebrantáveis, pois seu vigor me fará sentir vergonha quando quiser chorar e me deixará acanhado quando sentir a vontade de explodir em risos.
Então, com quem quero andar? Quero andar com gente; gente de carne e osso que sabe que a vida é vivida numa corda bamba, que um pequeno deslize é suficiente para nos esborracharmos no chão, assim não há lugar para a vaidade egoísta. Quero andar com pessoas que nem sempre acertam o alvo e que tem aureola torta, mas perseveram pela estrada da vida, totalmente despidas de soberba. Quero andar com fracos, medrosos e com os que sabem que não chegarão lá com suas próprias forças, e justamente por isso não vivem na neurose de ter que dar certo.
Lembro-me de um ditado popular que diz: “Diga-me com quem andas e direi quem tu és”.

Luciano

terça-feira, 3 de agosto de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

Reflexão


"A rigor, todo discurso humano sobre Deus é inadequado. Deus é e permanece o inefável, o indizível. Falar de Deus seria a arte de fazer o indizível tornar-se presente, sem pretender explicá-lo, sem o querer rebaixar ao nível da inteligência humana. Quem melhor pode fazer isto são os poetas..."
Anselm Grun

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Reflexão


O pensamento não nega o "mistério", mas somente a preguiça mental diante dele; não nega a tradição, mas apenas seu congelamento na repetição de um passado morto.

Andrés Torres Queiruga

terça-feira, 13 de abril de 2010

Convite


Discutir a questão da mundanidade não significa introduzir um novo assunto na arena dos debates da igreja cristã evangélica. Uma vez que a problemática mundo-vida cristã sempre ocuparam um lugar tanto na prática como no pensamento cristão, fazer hoje da mundanidade objeto de reflexão é tentar contribuir para entendermos essa dimensão, em busca de uma alternativa saudável para vivenciá-la.
É verdade que a mundanidade se tornou um assunto bastante espinhoso no meio cristão (sobretudo entre os evangélicos) pois, de um lado, o espiritual foi revestido de um valor superior ao material (influência do platonismo que marcou o Ocidente) e de outro, as interpretações bíblicas do termo mundo não conseguiram avançar para além dos preconceitos antecipadamente enraizados na mentalidade de muitos interpretes, resultando numa pratica na qual o mundo é sempre visto com desconfiança e muitas vezes como ameaça a fé.
Nosso objetivo com o encontro “Conversa com quem gosta de pensar - mundanidade e vida cristã” é problematizar a visão sedimentada, que vê a vida cristã em franca oposição ao mundo, legitimando um estereotipo de cristão extremamente estreito e reduzindo o cristianismo a uma religião do “não pode”.
Teremos como palestrantes principais, Silas Luiz de Souza (pastor presbiteriano, licenciado em história, Mestre em Ciências da religião, professor no Seminário Presbiteriano do Sul e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Escritor do livro: Pensamento social e político no protestantismo brasileiro) e Leandro Thomaz de Almeida (pastor presbiteriano, formado em Letras pela UNICAMP, onde também fez o Mestrado, atualmente no Doutorado estuda as relações entre romance e moralidade na literatura naturalista brasileira).

Dias: 16 e 17 de abril
Local: Igreja Presbiteriana Bethel
R: Cônego Cipriano de Souza Oliveira, 374 - Jd. Montezuma - Limeira

segunda-feira, 29 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dogmatismo e tolerância


Ler o livro Dogmatismo e Tolerância de Rubem Alves, foi num primeiro momento, mais uma obrigação de consciência que um simples desejo por essa leitura. Se dependesse de minha escolha, teria lido outro livro, quem sabe Tillich, Ricoeur, Moltmann ou outros. Entretanto, pelo fato de tê-lo recomendado a um amigo me senti na obrigação de também conhecê-lo. Mas aquilo que começou como obrigação se tornou prazeroso e enriquecedor; na medida em que avançava pelas paginas dessa obra me deparei com uma fonte inesgotável, em outras palavras, esse livro foi tão marcante, que inclusive, me valeu estas mal traçadas linhas.
Apesar de ser considerado persona non grata por alguns, na Igreja Presbiteriana do Brasil, a história de Rubem Alves se entrelaça com a história dessa denominação, (para tristeza de alguns e alegria de outros) dele dizia o saudoso Rev. Joás Dias de Araújo: “O Rubem é um vulcão teológico”. Após seus estudos de teologia no Seminário Presbiteriano do Sul (SPS), adquiriu grau de mestre na mesma área pelo Union Theological Seminary (New York) e doutor em filosofia pelo Princeton Theological Seminary (Princeton), transitando também pela psicanálise, etc. Rubem Alves tornou-se, sem dúvida, uma referência o pensamento brasileiro.
Mas quero falar do livro. Dogmatismo e Tolerância é um ensaio que tem como objetivo uma análise histórica dos caminhos trilhados pela igreja Protestante e pela igreja Católica, no Brasil. Como análise, essa obra não se limita a manipular e organizar os acontecimentos históricos, mas faz uma escavação, revelando uma dinâmica invisível que direcionou os eventos que marcaram tanto o protestantismo como o catolicismo. Assim, ao escavar por baixo, Rubem Alves torna visível elementos que a história contada não capta. Pontuo algumas questões abordadas no livro:

1. Como a igreja Protestante, que nasceu sob um ideal de liberdade e livre exame das Escrituras (Sacerdócio universal de todos os crentes) veio mais tarde a se fechar de forma tão radical?
2. O que é uma heresia e como é instituída?
3. A partir do ideal da Reforma do século XVI, o que significa ser protestante?
4. O que é o fundamentalismo e como se deu sua implantação na América Latina?

Essas e outras questões são abordadas nesse livro que, não obstante seu aspecto acanhado, (apenas 173 p.) é denso em seu conteúdo. Já li outros textos do Rubão (como é carinhosamente conhecido entre os seminaristas do SPS) que são sempre marcados tanto pela riqueza de informação como pela beleza da forma, valorizando um diálogo com teólogos, filósofos, sociólogos etc., e esse é mais um que realmente vale a pena.
Há pessoas que enaltecem Rubem Alves, não por sua produção intelectual, mas por sua saída da IPB, devido a sua orientação “liberal”. De minha parte, lamento sua saída, pois gente como ele nos faz pensar, nos revela que nossa fé não pode permanecer infantilizada e que maturidade antes de significar um conhecimento fossilizado, significa uma abertura para o aprendizado.

Luciano L. Borges