quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Reflexão

"A novidade da experiência de Jesus com referência a Deus, herança maior que nos legou, não é experimentar Deus como Deus dos exércitos, poderoso, nem como o Deus que apenas acompanha o seu povo e o consola. É uma experiência de afetividade, intimidade. De chamar a Deus: Paizinho, Pai de infinita bondade e ternura, Pai próximo, não distante, Pai que não ameaça. Ao descrever como Ele se comporta, Jesus não faz uma teologia sobre o Pai. Mostra como ele age."

Leonardo Boff

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Devaneio nostálgico

A saudade é a maior prova do que o passado valeu a pena.(desconhecido)


Hoje acordei um tanto melancólico, ou melhor, nostálgico; por algum motivo que ignoro lembranças do passado afloraram em minha memória e me apertaram o coração. Como quem folheia um álbum de fotos, sem fotos lembrei-me de minha mocidade na pequena cidade de Salto.
Num flash, lembrei-me dos lugares por onde andei nas idas e vindas da igreja, do trabalho e da escola. Dos pontos de bate-papo, no lanche perto do Shopping, na praça XV, no calçadão. Das viagens para Sorocaba no “Clube dos Roqueiros” (IP Calvário), do frango xadrez.... Tudo isso estava tão presente em minha lembrança que tive a impressão que se abrisse a porta da minha casa (hoje em Limeira) encontraria tudo intacto, como se o tempo tivesse parado.Resolvi dar corda à lembrança, peguei em cima do guarda-roupa uma caixa de fita-cassete e comecei a ouvir: Motification, Detritus, Bride, Sacred Warrior, Tourniquet, Stryper, e como não poderia faltar, o imortal Sangria (Arrependa-se ou morra), hoje símbolos de um tempo gostoso, época de sonhos que se projetavam para um futuro aberto à nossa frente, e embora também nos preocupássemos com o presente (garotas, trabalho, estudo, igreja, etc.) tínhamos o dom de não levá-lo tão a sério. Um tanto temeroso de ir longe demais ousei pegar algumas fotos: acampamentos, shows, festas. Elas me fizeram rir, chorar e pensar; trouxeram-me à memória os grandes amigos: Leandro e Alex (boys), Márcio, Thon, Alex e André Ramos, Alex Taylor, Fernando (Ceará), Dinei e Elvis, Oziel, Alex da Grama e Karina (por onde andam?), Júnior, Neilson e Gordo e tantos outros, o tempo passou, namoros, noivados, casamentos, mudanças, nos distanciamos.
Ao olhar para trás tenho a impressão de que naquele tempo estávamos ocupados demais em viver a vida e sequer percebíamos que ela passava. A vida estava em seu fluxo mais potente e nós que não dávamos conta disso, simplesmente vivíamos. Hoje estamos quase todos casados, alguns com crianças ao seu redor, envolvidos com trabalho, estudo, família e já não temos mais tempo para “vagabundear” e jogar conversa fora, nem fazer disputa de cuspe depois de um copo de garapa.
Paro por aqui, e com um nó na garganta continuo minha jornada no presente me deixando envolver de vez em quando pela saudade de um passado que não volta mais. Sei que tudo o que foi vivido não mais poderá se repetir, pois o tempo fez um trabalho tão bem feito que não é mais possível revivê-lo. Mas quanto aos amigos que há tempos não vejo, se um dia reencontrá-los espero que possa olhar para eles como se o tempo não tivesse passado.
Luciano Borges

sábado, 2 de outubro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Diga-me com quem andas...


Desde a meninice aprendemos ser criteriosos na escolha daqueles que formam nosso círculo de amizade, pois as más companhias não são boa opção para pessoas de bem. Embora já bem crescido, quando cheguei a igreja aprendi que deveria abandonar os antigos amigos e renovar meu rol de amizade, pelo motivo que aqueles pertenciam a uma realidade que não era mais a minha, o mundo. Assim, considerando a importância da escolha daqueles que caminham ao nosso lado decidi que:
Não quero andar com pessoas perfeitas, que tenham um alto grau de santidade e que alardeiam para todos suas conquistas morais e espirituais; tais pessoas são extremamente duras com os trôpegos e não poucas vezes medem os outros com um metro injusto e desonesto Não quero andar com pessoas legalistas, que entendem que o único objetivo da vida é obedecer à regras preestabelecidas e inquestionáveis; essas pessoas entendem a vida de modo muito estreito e muitas vezes colocam sobre os ombros dos outros fardos que elas mesma não estão dispostas a carregar. Não quero andar com os fortes, bravos, e inquebrantáveis, pois seu vigor me fará sentir vergonha quando quiser chorar e me deixará acanhado quando sentir a vontade de explodir em risos.
Então, com quem quero andar? Quero andar com gente; gente de carne e osso que sabe que a vida é vivida numa corda bamba, que um pequeno deslize é suficiente para nos esborracharmos no chão, assim não há lugar para a vaidade egoísta. Quero andar com pessoas que nem sempre acertam o alvo e que tem aureola torta, mas perseveram pela estrada da vida, totalmente despidas de soberba. Quero andar com fracos, medrosos e com os que sabem que não chegarão lá com suas próprias forças, e justamente por isso não vivem na neurose de ter que dar certo.
Lembro-me de um ditado popular que diz: “Diga-me com quem andas e direi quem tu és”.

Luciano

terça-feira, 3 de agosto de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

Reflexão


"A rigor, todo discurso humano sobre Deus é inadequado. Deus é e permanece o inefável, o indizível. Falar de Deus seria a arte de fazer o indizível tornar-se presente, sem pretender explicá-lo, sem o querer rebaixar ao nível da inteligência humana. Quem melhor pode fazer isto são os poetas..."
Anselm Grun

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Reflexão


O pensamento não nega o "mistério", mas somente a preguiça mental diante dele; não nega a tradição, mas apenas seu congelamento na repetição de um passado morto.

Andrés Torres Queiruga

terça-feira, 13 de abril de 2010

Convite


Discutir a questão da mundanidade não significa introduzir um novo assunto na arena dos debates da igreja cristã evangélica. Uma vez que a problemática mundo-vida cristã sempre ocuparam um lugar tanto na prática como no pensamento cristão, fazer hoje da mundanidade objeto de reflexão é tentar contribuir para entendermos essa dimensão, em busca de uma alternativa saudável para vivenciá-la.
É verdade que a mundanidade se tornou um assunto bastante espinhoso no meio cristão (sobretudo entre os evangélicos) pois, de um lado, o espiritual foi revestido de um valor superior ao material (influência do platonismo que marcou o Ocidente) e de outro, as interpretações bíblicas do termo mundo não conseguiram avançar para além dos preconceitos antecipadamente enraizados na mentalidade de muitos interpretes, resultando numa pratica na qual o mundo é sempre visto com desconfiança e muitas vezes como ameaça a fé.
Nosso objetivo com o encontro “Conversa com quem gosta de pensar - mundanidade e vida cristã” é problematizar a visão sedimentada, que vê a vida cristã em franca oposição ao mundo, legitimando um estereotipo de cristão extremamente estreito e reduzindo o cristianismo a uma religião do “não pode”.
Teremos como palestrantes principais, Silas Luiz de Souza (pastor presbiteriano, licenciado em história, Mestre em Ciências da religião, professor no Seminário Presbiteriano do Sul e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Escritor do livro: Pensamento social e político no protestantismo brasileiro) e Leandro Thomaz de Almeida (pastor presbiteriano, formado em Letras pela UNICAMP, onde também fez o Mestrado, atualmente no Doutorado estuda as relações entre romance e moralidade na literatura naturalista brasileira).

Dias: 16 e 17 de abril
Local: Igreja Presbiteriana Bethel
R: Cônego Cipriano de Souza Oliveira, 374 - Jd. Montezuma - Limeira

segunda-feira, 29 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dogmatismo e tolerância


Ler o livro Dogmatismo e Tolerância de Rubem Alves, foi num primeiro momento, mais uma obrigação de consciência que um simples desejo por essa leitura. Se dependesse de minha escolha, teria lido outro livro, quem sabe Tillich, Ricoeur, Moltmann ou outros. Entretanto, pelo fato de tê-lo recomendado a um amigo me senti na obrigação de também conhecê-lo. Mas aquilo que começou como obrigação se tornou prazeroso e enriquecedor; na medida em que avançava pelas paginas dessa obra me deparei com uma fonte inesgotável, em outras palavras, esse livro foi tão marcante, que inclusive, me valeu estas mal traçadas linhas.
Apesar de ser considerado persona non grata por alguns, na Igreja Presbiteriana do Brasil, a história de Rubem Alves se entrelaça com a história dessa denominação, (para tristeza de alguns e alegria de outros) dele dizia o saudoso Rev. Joás Dias de Araújo: “O Rubem é um vulcão teológico”. Após seus estudos de teologia no Seminário Presbiteriano do Sul (SPS), adquiriu grau de mestre na mesma área pelo Union Theological Seminary (New York) e doutor em filosofia pelo Princeton Theological Seminary (Princeton), transitando também pela psicanálise, etc. Rubem Alves tornou-se, sem dúvida, uma referência o pensamento brasileiro.
Mas quero falar do livro. Dogmatismo e Tolerância é um ensaio que tem como objetivo uma análise histórica dos caminhos trilhados pela igreja Protestante e pela igreja Católica, no Brasil. Como análise, essa obra não se limita a manipular e organizar os acontecimentos históricos, mas faz uma escavação, revelando uma dinâmica invisível que direcionou os eventos que marcaram tanto o protestantismo como o catolicismo. Assim, ao escavar por baixo, Rubem Alves torna visível elementos que a história contada não capta. Pontuo algumas questões abordadas no livro:

1. Como a igreja Protestante, que nasceu sob um ideal de liberdade e livre exame das Escrituras (Sacerdócio universal de todos os crentes) veio mais tarde a se fechar de forma tão radical?
2. O que é uma heresia e como é instituída?
3. A partir do ideal da Reforma do século XVI, o que significa ser protestante?
4. O que é o fundamentalismo e como se deu sua implantação na América Latina?

Essas e outras questões são abordadas nesse livro que, não obstante seu aspecto acanhado, (apenas 173 p.) é denso em seu conteúdo. Já li outros textos do Rubão (como é carinhosamente conhecido entre os seminaristas do SPS) que são sempre marcados tanto pela riqueza de informação como pela beleza da forma, valorizando um diálogo com teólogos, filósofos, sociólogos etc., e esse é mais um que realmente vale a pena.
Há pessoas que enaltecem Rubem Alves, não por sua produção intelectual, mas por sua saída da IPB, devido a sua orientação “liberal”. De minha parte, lamento sua saída, pois gente como ele nos faz pensar, nos revela que nossa fé não pode permanecer infantilizada e que maturidade antes de significar um conhecimento fossilizado, significa uma abertura para o aprendizado.

Luciano L. Borges

quarta-feira, 3 de março de 2010

Frágeis idéias sobre Deus (2 parte)


Considerando que Deus está para além de nossas capacidades e recursos cognitivos, que não encontro imagens de Deus em porta-retratos ou cartazes pelas ruas, que não o vejo no noticiário da TV, enfim que não o enxergo, que não o toco etc. como posso apreendê-lo? Para isso lançamos mão dos recursos que temos ao nosso alcance, nos valemos de nosso histórico de vida, nossos conhecimentos bíblicos, nossas experiências religiosas, afetivas, sociais etc., que possibilitarão abordar aquilo para o qual meus conhecimentos estão sempre aquém. Crianças fazem isso: Quando damos um lápis a uma criança e lhe pedimos que desenho o papai ou a mamãe ela faz um risco aqui outro ali e ao lhe perguntar pelo que desenhou ela responde: o papai e a mamãe. Assim como nós em relação a Deus, ela se vale dos recursos que tem para representar seu objeto.
No trabalho de “representar o além no aquém” (Paul Ricoeur) nos deparamos com a fragilidade de nossas idéias. E falando do livro A Cabana, aqui está o motivo do choque de Mack ao encontrar Deus como três figuras humanas e, conseqüentemente o motivo do choque de muitos ao se deparar com a descrição do livro; é instaurada uma tensão entre aquilo que se imagina e o que se contempla. Penso que essa experiência é como ouvir um radialista e a partir de sua voz fazer uma construção imaginária de seu aspecto físico: a cor dos cabelos, dos olhos, da pele, altura etc.; quando nos depara com a pessoa há um espanto, pelo fato que a imagem outrora criada não corresponde com a contemplada. Não há uma correspondência exata entre nossas idéias de Deus e o próprio Deus, o máximo que conseguimos com nossos recursos é fazer uma metáfora. Isso se dá também quando se fala da sua bondade, do amor, da misericórdia etc; também falamos dessas características a partir de nossa realidade e de nossas experiências.
Há pessoas que tem em mente a idéia de um Deus caprichoso que maltrata quem não cumpre os acordos, um Deus vingativo que se pune daqueles que erram o alvo ou um Deus vaidoso com baixa auto-estima que necessita do nosso elogio. Kierkegaard, filósofo dinamarquês, viveu uma religiosidade dramática, profundamente marcada pela influência de seu pai que, segundo contam os historiadores da filosofia, certo dia amaldiçoou a Deus e pelo resto da vida arrastou esse fardo de culpa e medo de uma vingança iminente. Há algum tempo ouvi de uma mãe cujo filho esteve internado numa UTI, que no momento de desespero fez um voto a Deus de que se a criança sobrevivesse ela voltaria para igreja, e caso não cumprisse seu voto Deus poderia lhe tomar a criança, como castigo.
Essas e outras idéias de Deus são construções a partir de fragmentos de nossas vivencias, e que não poucas vezes estão na base de uma religiosidade mórbida, marcada pelo medo e pela culpa. Não poucas são as pessoas que pensam que pelo fato faltaram ao culto dominical, Deus as castigará, não são poucas as pessoas que atribuem catástrofes e infortúnios ao afastamento de Deus. Enfim, por mais engenhosos e criativos que sejamos, não há uma exata correspondência entre nossas idéias e o próprio Deus. Nossas idéias de Deus não são como uma fonte de água límpida, pura e sem mistura que vem direto dele, mas em Jesus Cristo temos algo maravilhoso, o Pai desconcertantemente amoroso e generosamente acolhedor, não obstante as idéias que dele fazemos.
Luciano L. Borges

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema em linha reta

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Belissima interpretação de Osmar Prado.

Frágeis idéias sobre Deus (1 parte)


“Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no
seio do Pai, é quem o revelou”. João 1.18




Uma das provocações que resultam da leitura do livro A Cabana, de William Paul Young, é sem dúvida, em relação a nossa visão de Deus, ou melhor, em relação a idéia que temos de Deus. Logo no início da leitura nossa imaginação é afrontada quando o autor apresenta a Trindade como Elousia (Deus Pai), uma negra enorme e sorridente que ouvia funk/blues (não religioso) enquanto trabalhava na cozinha, Jesus (Deus Filho), um homem de aproximadamente trinta anos com aspecto do Oriente Médio, com aparatos de um operário, cinto de ferramentas e luvas, vestido de jeans e camisa xadrez com mangas enroladas acima do cotovelo, e Sarayu (Deus Espírito), mulher asiática de etnia mongólica aparentando ser uma jardineira com luvas dobradas no cinto, vestida com uma blusa colorida e jeans com manchas de terra nos joelhos.
O contato com essa descrição tem um efeito de “desestruturação conceitual”, causando uma espécie de abalo sísmico nas idéias sedimentadas que, conseqüentemente, gera certa “desordem” interna. Há algum tempo conversava com uma pessoa que começou a ler A Cabana mas, que em certa altura não conseguiu ir adiante, pois em sua mente, pensar Deus dentro de parâmetros tão humanos era algo inconcebível, um insulto, um sacrilégio. Suas idéias de Deus estavam em choque com as novas idéias apresentadas, eram incompatíveis e inconciliáveis.
Mas, a partir desse encontro conflituoso, nesse desconforto da desestruturação conceitual, podemos levantar questões como: Como você imagina Deus? Quais idéias você tem de Deus? Quando você conversa, ora, canta em adoração o que vem a sua mente? A partir disso pontuo três observações que considero importantes para essa discussão:

1. Deus está para além de nossa capacidade de compreendê-lo;
2. Em nossa tentativa de apreender Deus, lançamos mão dos precários recursos que temos ao nosso alcance;
3. Por mais engenhosos que sejamos não o atingimos, não representamos, apenas “metaforeamos”.

Luciano L. Borges

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Vinicius de Moraes

Eu sei que vou te amar e soneto de fidelidade

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Novo tempo

“No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos”
Ivan Lins / Vitor Martins

É tão comum lamentar o tempo que passou e não se dar conta que um novo tempo aflora. É tão comum chorar os fracassos do passado e não perceber as ricas oportunidades que brotam no presente. É tão comum reclamar o que se perdeu ontem e não notar o que se ganhou para o hoje. Para descrever o aspecto fugidiço do tempo alguém certa vez disse que o pêndulo do relógio sempre vai e nunca volta, pois entre um tic-tac e outro o tempo que se escoou não pode mais ser resgatado. Também a vida passa numa contínua sucessão de tempo, o presente se transmuta tão rapidamente em passado que sequer percebemos. E assim nos damos conta que tempo passado é tempo perdido, é tempo que pertence à memória e ao sentimento, pois não mais existe. Mas esse mesmo tempo perdido torna-se um ganho na medida em que se aprende as lições que por meio dele foram ensinadas, na medida em que se percebe a maturidade que ele promove, tornando-se um instrumento com o qual é possível moldar o presente que se desponta trazendo consigo a esperança de um futuro melhor.
O novo tempo só é novo para aquele que aprendeu com as lágrimas e com os risos, com chegadas e com as partidas, com os erros e com acertos, de modo a verem o presente como uma dádiva de Deus e nele se alegram com a alegria incontida de uma criança e se comprometem com a firmeza madura de um adulto. Para esses o novo tempo é como o raiar de um novo dia.

Luciano L. Borges

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cultura


“O fato é que os homens se recusaram a ser aquilo que, à semelhança dos animais, o passado lhes propunha. Tornaram-se inventores de mundos. E plantaram jardins, fizeram choupanas, casas e palácios, construíram tambores, flautas e harpas, fizeram poemas, transformaram seus corpos cobrindo-os de tintas, metais, marcas e tecidos, inventaram bandeiras, construíram altares, enterraram seus mortos e os prepararam para viajar e, na sua ausência entoaram lamentos pelos dias e pelas noites...”

Rubem Alves

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pensar é mais que pensar


Pode até parecer estranho mas, pensar é mais que simplesmente pensar. Pensar é também desconfiar, manter-se num estado de suspeita ousando questionar o aparentemente inquestionável ou, pelo menos, manter em suspenso qualquer juízo a fim de não incorrer em julgamento errôneo. Pensar é (re)pensar, retomar o já pensado para pensá-lo novamente, em poucas e simples palavras, é não se contentar com o que vem de forma gratuita.
A partir disso percebemos uma distinção entre o “ter pensamentos” e o “ato de pensar”. Ter pensamentos é uma condição inescapável em que o indivíduo voluntária ou involuntariamente se encontra “habitado” por idéias, conceitos e opiniões, advindas do convívio com outras pessoas, dos meios de comunicação, etc., nesse processo ele é passivo, pois é um ser pensante por natureza. Por outro lado, no ato de pensar o indivíduo é ativo, ele toma o pensamento e se propõe a (re)pensá-lo, descobrindo a partir de então nuances ainda não percebidas; ele deixa de contemplar os reflexos sobre as águas e para a enxergar o que há no fundo.
Assim, podemos dizer que há uma grande diferença entre aqueles que pensam e aqueles que apenas têm pensamentos: todo aquele que pensa tem pensamentos, mas nem todo aquele que tem pensamentos pensa. Pensar vai além de ter pensamentos, pensar é colocar os pensamentos em movimento, é dar liberdade não só para pensar sobre tudo, mas também pensar tudo sobre tudo.


Luciano L. Borges

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Deus apaixonado

Em discussões religiosas, até mesmo entre cristãos, podemos ouvir frases como estas: “Deus não pode sofrer”, “Deus não pode morrer”, “Deus não tem necessidades”, “Deus não precisa de amigos”. Tenho pena dos que pensam dessa forma, porque transformam o Deus vivo num ídolo morto do seu próprio medo da vida.
O Deus que falam os homens do Antigo Testamento, baseados nas próprias experiências, não é um poder frio e silencioso, no céu, que permanece, auto-suficiente, distribuindo graciosamente esmolas aos súditos. É, bem ao contrário, o Deus apaixonadamente envolvido com sua criação, com os homens e com o futuro. Sentimos sua presença no patético expresso em seu amor pela liberdade e no interesse apaixonado pela vida contra a morte. Foi por isso que esse Deus entrou numa aliança com os homens, muito semelhante ao casamento, como relata o Antigo Testamento. Tornou-se vulnerável ao amor. Quando Israel o abandonou e se deixou levar pelos ídolos, sua paixão pela liberdade desse povo fê-lo sofrer. Caminhou ao lado de Israel na direção do exílio, participando de seu sofrimento. Irou-se por causa dos pecados incoerentes do povo. Mas seu desgosto expressava apenas o amor ferido, nada mais.


Jurgen Moltmann